COBERTURA | Painel DC Comics na CCXP Tour 2017

Os quadrinistas da DC discutem, na CCXP Tour Nordeste, as adaptações de HQs para outras mídias

Na última sexta-feira, 14, um time de peso de quadrinistas da DC Comics, debateu a adaptação de HQ’s para os cinemas e séries de TV, na CCXP Tour Nordeste.

Entre eles estavam os desenhistas brasileiros Ivan Reis, Eddy Barrows, e os premiados Paul Pope – (Batman – Ano Cem), Jock (Arqueiro Verde – Ano Um e Detective Comics), e Glenn Fabry – (Hellblazer e Deadpool), o diretor da Panini, Levi Trindade, além do mediador e editor do Omelete, Marcelo Hessel.

Os convidados debateram o mercado atual de quadrinhos, a identidade de cada mídia e suas diferenças principais. No meio de tanta conversa claro que apareceram opiniões sobre Superman e o filme Bataman vs Superman: A Origem da Justiça, estrelado por Henry Cavill.

Ivan Reis, artista exclusivo da DC, que já desenhou para a editora personagens como Superman, Liga da Justiça, Lanterna Verde e seu preferido Aquaman, conta que trabalhar com paixão pode fazer a diferença, mesmo em projetos desacreditados inicialmente.

Ivan é hoje responsável pelo sucesso de Aquaman na DC, e antes mesmo da série Rebirth, ou Renascimento, ele já renovou o rei dos mares e ‘brigou’ por sua idéia. Ele ajudou a equipe a chegar na aparência final do herói para os filmes Batman vs Superman, Liga da Justiça e o filme solo Aquaman.

Ele conta que a editora não achava o personagem tão comercial e todos ficaram felizes com a repercussão das vendas com esse resgate de Aquaman. O editor da Panini – que distribui as histórias no Brasil – Levi Trindade, surpreendeu Reis com a informação que o sucesso se repetiu no Brasil e os encadernados tiveram até que ser reimpressos pois foram os que mais venderam na editora.

Reis declara que “foi um projeto que a equipe envolvida, trabalhou sem pressão e com paixão pelo personagem”. Já Eddy Barrows completou que “comprova-se que a boa história, bem desenhada e bem escrita, é o que vale”.

Sobre o cenário atual Ivan acredita que “o que acontece, pelo menos aqui no Brasil, é que o resgate de coisas dos anos 80, está voltando com uma nova roupagem e eu acredito que é porque aquele público que cresceu com os personagens, criou uma ligação, um vínculo emotivo com eles. E hoje esse público cresceu, e tem poder de consumo, então, qualquer coisa que os remeta aquele lado emotivo é algo que eles vão querer consumir, porque hoje eles podem. Antes nós não tínhamos tantas opções, hoje nós temos, então além deles estarem consumindo para eles, estão consumindo também para os filhos também. Talvez por isso, mexer com o emotivo e com as coisas ‘mais simples’, digamos assim, tem um poder muito grande”.

Transportar isso para outros formatos, nem sempre é fácil e não existe fórmula perfeita ou pronta. Os presentes foram unânimes em concordar que mídias como HQs, Cinema e TV podem influenciar umas as outras, inspirar, servir como referências, mas a linguagem, características e peculiaridades tem que ser respeitadas para cada uma delas, pois são completamente diferentes.

“No cinema você não enxerga a cena, em toda a página, com todos os quadros ao mesmo tempo. Você não tem balões. São várias coisas que interferem na forma da narrativa e da leitura. Elas se cruzam em alguns momentos, podem servir como referências, mas são diferentes. Por isso existem adaptações para o cinema, porque não tem como ser iguais”, declarou Reis.

Esses comentários levaram os convidados a citar a adaptação do renomado HQ Constantine, com o ator Keanu Reeves, para o cinema. Um exemplo claro de caso onde o filme não tem absolutamente nada semelhante aos quadrinhos. Mas – num exemplo positivo de adaptação – falaram também sobre a série de TV Arrow, que se inspirou nas HQS e tem muitas semelhanças em ambas as narrativas.

Nesse momento o desenhista Eddy Barrows citou outro exemplo que – em sua opinião – ainda não encontrou sua referência. Eddy disse que “não consegui identificar o Superman. Eu desenhei o Superman durante três anos e sempre me identifiquei com a essência do personagem. Assisti os dois últimos filmes dele e pensei ‘gente, esse não foi o cara que desenhei, o cara dos quadrinhos não é desse jeito’. Acho que o diretor tem que conhecer o personagem e sentir a essência dele. Isso tem que vir de dentro para fora, se for o inverso – só visualmente – não surte efeito. O que faz com que você se identifique com o personagem é a essência dele”.

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Marcelo Hessel comentou que se for para comparar o Superman, (filme), de 1978, com o de Henry Cavill – o Homem de Aço de 2013 – eles são muito diferentes. Hessel perguntou para os desenhistas, que trabalham muito com a questão da anatomia do personagem, se eles tem uma opinião sobre a questão do físico do Superman nos dois filmes citados.

Barrows respondeu “não precisa nem trazer aquele Superman de 78 porque na verdade aquele diretor entendeu a essência do personagem. O que nós queremos de verdade são boas histórias, boa adaptação, fidelidade naquilo que nós gostamos e nos alimenta. Quando vemos personagens mal construídos é porque não entenderam sua essência”.

Levi Trindade emendou, “Superman não é um personagem amargurado, ele é um símbolo de esperança”.

Referindo-se ainda a Batman vs Superman, Hessel perguntou a todos o que acharam da ‘solução’ do filme, citando o nome da mãe dos dois protagonistas: Martha, para “acabar com a briga”.

Ivan Reis já disparou: “tenho certeza que todos só se tocaram disso no filme”. Paul Pope disse que achou a cena de luta de Batman vs Superman, a melhor de todos os filmes de super-heróis e que gostou muito do longa.

Para finalizar, Ivan Reis disse ainda que Batman vs Superman é um dos poucos filmes que ainda é discutido, debatido e comentado na internet mesmo depois de tanto tempo. “Ele divide opiniões, é ame ou odeie e continua-se discutindo depois de muito tempo… e isso significa alguma coisa!

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A nova apresentação de Superman, proposta pelo diretor Zack Snyder desde O Homem de Aço, quer mostrar os conflitos do herói, que cresce sem conhecer sua verdadeira história, com um pai adotivo que prefere que ele esconda seus poderes por acreditar que ninguém irá aceitá-lo caso ele se revele.

Clark sabe que não pertence a esse mundo, que não seria entendido, viaja o mundo procurando se encontrar e se camuflar para conseguir se misturar sem chamar a atenção para todo o seu potencial. Seus relacionamentos, (além de seus pais), são comprometidos pelo fato de que ele tem que se controlar o tempo todo para que ninguém perceba quem ele é de verdade. Talvez em muitos momentos, essa pessoa não queira ser o Superman.

Nesse cenário, ele vai amadurecendo e se descobrindo aos poucos. É humano, realista e consciente da nossa rotina, é moderno. O diretor já mencionou que o Superman que vimos até agora nas telas, ainda está em evolução, não é finalizado ainda. O Superman de Cavill não é superficial, muito pelo contrário, ele é intenso. Vive dores e receios e sorri sim, quando possível.

Os amantes dos clássicos sentem falta da apresentação “leve”, com o ar de escoteiro e confortável do Superman das HQs, mas sabemos que se para qualquer ser humano, se aceitar neste planeta cheio de prejulgamentos já é difícil, imagine para um alien que nem conhece toda a sua origem e seu potencial?

A revista DUJOUR, numa entrevista concedida por Henry, em fevereiro de 2016, diz “Como um ator, o atraente sobre Cavill é uma mistura de características físicas, inteligência e sinceridade, que serve para fazer sua presença de tela não apenas carismática, mas também, com a qual nos identificamos.” “Isso vai soar brega, mas é verdade”, diz Cavill, pausando sério. “O que realmente é importante para mim é o Superman sendo representado corretamente; proteger o S, que é essencial.” é o que torna o seu Superman o tipo de herói relevante para as pessoas e não apenas um uniforme cheio de músculos a ser esquecido.

A matéria continua com uma declaração de Snyder: “O que Cavill traz para o Superman, é uma dose extra da humanidade. A coisa com o Superman é que você quer sentir como que ele vai fazer a coisa certa mas você não quer que ele pareça quadrado demais”.

Tanto o diretor, como Cavill são “consumidores” de quadrinhos, e pesquisaram várias histórias do herói. Mas na adaptação para os cinemas, eles tem o direito de escolher um rumo e construir essa narrativa, para o seu meio. Snyder declarou: “Eu sou um cara fã de quadrinhos e eu me apoiei muito nessa estética. O filme é o que ele é.”

Henry retorna em Liga da Justiça e uma sequência de Homem de Aço, foi confirmada – mas ainda sem data prevista – então vamos deixar nosso herói ir ‘se mostrando’, resgatando com a sua evolução na atualidade, todos os valores que amamos no Superman.

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