ESPECIAL | Lee Durrel, experiência e dedicação em prol da preservação das espécies

Nós já contamos um pouco da história do Durrell Wildlife Park – situado em Jersey – e de seu fundador Gerald Durrell.

A organização, que é reconhecida mundialmente por seu trabalho sério e dedicado nas questões de preservação ambiental, tem como embaixador o ator britânico Henry Cavill, e a frente do Durrell Conservation Trust, a figura incansável e apaixonada de Lee Durrell.

Lee McGeorge Durrell nasceu em Memphis, Tennessee em 7 de setembro de 1949, a filha mais velha de Harold e Harriet McGeorge. Ainda criança, suas caixas de bonecas se transformavam em “palácios” para seus animais: tartarugas, lesmas, esquilos e borboletas. Sempre muito ativa, Lee incluiu em seu currículo escolar, várias atividades como participar da equipe de tênis, coro, clube de teatro, cargos seniores como editora do jornal da escola e presidente do conselho estudantil.

Após estudar Filosofia, em 1971, ela se matriculou no programa de pós-graduação na Universidade Duke, na Carolina do Norte, para estudar o comportamento animal. Ficou um tempo no centro de primatas da universidade, cuidando de animais como macacos e lêmures, e descobriu um interesse genuíno pela comunicação animal. Resolveu viajar para a Ilha de Madagascar onde realizou pesquisas de vocalização de mamíferos e aves, para sua dissertação de Ph.D.

Lee e Gerald Durrell se conheceram numa palestra dele na Universidade de Duke, em 1977. Ela foi “escalada” para recepcioná-lo no evento pelo destaque em suas pesquisas e seus trabalhos acadêmicos, além de ser declaradamente fã dos livros e do trabalho de Gerald. Numa entrevista concedida ao The Guardian, a sra Durrell contou um pouco sobre esse encontro:

Eles dizem que você nunca deve conhecer seus heróis, mas fui melhor e me casei com o meu. Ele tinha sido meu herói desde que eu tive seus livros, fora da biblioteca de missão em Madagascar, onde eu estava fazendo minha pesquisa de PhD. Depois que ele visitou minha universidade alguns anos depois, para ver o programa de criação de lêmures, ele telefonou e me pediu para vir para Jersey e montar um laboratório de gravação de som (eu estava estudando a comunicação animal)…
Eu era realmente muito ingênua e não percebi na época que era apenas uma estratégia para me levar para Jersey. Uma vez que eu estava lá, ficou bastante óbvio que íamos estar juntos, declarou Lee.

O casamento em 1979 os transformou em parceiros na vida, nas expedições para resgate de espécies ameaçadas de extinção (Madagascar e Rússia), nos seriados de TV e na autoria de livros. O casal direcionou projetos dentro do Parque em Jersey e depois expandiu as ações conservacionistas para diversos países.

Em 1984 Gerald, Lee e sua equipe tornaram-se a primeira unidade de televisão ocidental a filmar a vida selvagem da União Soviética para Durrell, na Rússia. Eles publicaram um livro com o mesmo título contando suas experiências por trás da Cortina de Ferro. Venderam a série para TV atingindo mais de 150 milhões de telespectadores, em mais de 40 países.

Sempre preocupados com a preservação das espécies e contra a exibição de animais por puro lucro, o casal Durrell construiu um exemplo de monitoramento de animais, com suporte de pesquisas e estudos em uma universidade ambiental – para difundir informações e treinar conservacionistas em todo o mundo – no Durrell Wildlife Park – além das parcerias com governos e instituições em projetos mais específicos de proteção da fauna.

Lee Durrell tornou-se coordenadora de todos os projetos da Durrell Conservation Trust em Madagascar, após a última expedição que o casal fez ao país em 1990. Um projeto que ganhou reconhecimento e destaque internacional foi o de proteção à Tartaruga “Ploughshare Tortoise”, (Tartaruga de Arado, em tradução literal), considerada a tartaruga mais rara do mundo -pois no início do projeto acreditava-se que haviam menos de 400 na natureza – e encontrada somente em uma região isolada na costa noroeste de Madagascar. Com o financiamento de Durrell Wildlife Conservation Trust e outras organizações de conservação o Projeto Angonaka é agora reconhecido internacionalmente como: “modelo de uma abordagem integrada para a conservação de espécies, envolvendo criação, pesquisa, ação comunitária e o restabelecimento de uma população selvagem”.

Com a morte de Gerald Durrell em janeiro de 1995, Lee assumiu como Diretora Honorária do Durrell Wildlife Conservation Trust. Mesmo com todo o trabalho e responsabilidades, ela sempre está pronta para aprender mais e em 1999, Lee ganhou sua licença de piloto privado e se tornou uma aviadora! Ela usa sua licença para transportar animais com conforto e segurança entre Jersey e o Reino Unido e Europa para a criação de programas de intercâmbio.

Todo esse trabalho tem um custo operacional significativo. A manutenção anual do Parque em Jersey – segundo o The Guardian – gira em torno de £ 8 milhões por ano. A sra Lee conta que nem sempre é fácil:

Alguns anos depois de Gerald falecer, começamos a ter grandes problemas financeiros. Uma das razões para ele definir o zoo em Jersey foi que havia uma grande indústria turística. Então, por bons 25 anos tivemos receita constante e fomos capazes de construir o nosso treinamento e programa no exterior. Mas no final dos anos 90, com a recessão, foi um grande golpe e tivemos de ser muito mais espertos para garantir a nossa sobrevivência. Agora temos dois restaurantes e camping, que são extremamente populares.
É assustador e sim, pensei que poderíamos perder o parque. Nós ainda não estamos fora do perigo, mas eu gostaria de pensar que as pessoas nunca deixariam isso acontecer e é algo que eu nem consigo imaginar.

Sem poder ficar omisso a essa situação Henry Cavill entrou como aliado nessa causa. Após a equipe da Durrel ouvir Cavill mencionar em uma entrevista, que o parque é um lugar especial em suas lembranças de infância – quando visitava o local com sua família – eles enviaram para o agente de Henry, um certificado de adoção de um Gorila, num gesto para demonstrar o orgulho em ter um herói local.

O que não esperavam é que Henry respondesse agradecendo o presente e dizendo o quão importante ele considerava o trabalho da Durrell, e como a sua missão estava muito em linha com os pensamentos do ator sobre a natureza, a biodiversidade e o futuro.

Henry retornou ao parque para gravar um vídeo que divulgava seu apoio como embaixador da Durrell Conservation Trust e criou a Cavill Conservation. Encantado com todo o trabalho conservacionista, ele adotou a família gorila e quis proporcionar a seus fãs a mesma oportunidade. Poder ajudar a Durrell através de doações, adoção de animais e campanhas diversas virou uma rotina que alegra genuinamente o ator.

Todos os valores arrecadados nessas ações ajudam na manutenção do Parque e nos projetos em parceria pelo mundo. No Brasil, a Durrell tem ligação direta com o reflorestamento dos Corredores de Mata Atlântica, para garantir a preservação do mico-leão Preto entre outras espécies. (Leia mais sobre a parceria Durrell com o Instituto IPE, AQUI.)

Lee Durrell tem para dia dois de abril, desse ano, uma visita a Índia (terra natal de Gerald), acompanhando um Tour sobre a vida selvagem em perigo local. A visita inclui os parques de Orang e Kaziranga – que são o lar de alguns dos mamíferos mais ameaçados da Índia – o Pygmy Hog Basistha Center e também um passeio na cidade metropolitana de Kolkata. Os inscritos poderão ver rinocerontes, elefantes, cegonhas e botos, além de compartilhar todo o conhecimento e experiência da sra Durrell sobre as espécies.

Ao viajar nesta turnê, que pode variar de seis a no máximo doze convidados, todos estarão ajudando o Durrell Wildlife Conservation Trust, além de uma contribuição que será feita para os projetos específicos que são visitados durante a estadia do grupo na Índia. Saiba mais.

Uma grande lição que ‘Gerry’ me ensinou, é que você deve apenas seguir o seu sonho, e nunca aceitar um não como resposta. Gostaria de pensar que ele ficaria orgulhoso do trabalho que a Trust fez para adaptar-se e manter o parque em andamento e saber que ele o confiou a mãos seguras comigo”. (Lee Durrell)

No último dia 7 de janeiro, Gerald Durrell completaria 92 anos, mas o legado que ele deixou continua vivo e num trabalho incansável para salvar a vida em todo o planeta. Nós só temos a agradecer todo o esforço e dedicação que a sra Lee Durrel tem – a frente da Durrell Conservation Trust – para preservar a natureza e proteger as espécies em perigo.

Apoie e conheça mais sobre esta causa em:

• Site Durrell: www.durrell.org
• Site CavillConservation: www.cavillconservation.com
• Twitter: twitter.com/durrellwildlife
• Facebook: facebook.com/durrellwildlife
• Instagram: instagram.com/durrellwildlife

Não se esqueça que aqui no PHCBR postamos sempre tudo sobre a Durrell e a CavillConservation!

Fontes: 1 / 2.

 

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